Coordenadora da Moradia e Cidadania no Paraná a 10 anos Maria de Fátima Costamilan, 50 anos, bancária, iniciou sua trajetória em causa social na adolescência se envolvendo em atividades do grupo de jovens ligado à igreja católica em visitas às comunidades pobres, orfanatos e asilos. A atuação foi se ampliando com a participação no movimento da ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida lançado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, em 1993. “Foi um marco importante em minha vida pois passei a realizar um trabalho voluntário com resultados mais consistentes no transformação da vida de centenas de pessoas que vivem na miséria. Sempre achei que não dá pra ser feliz sozinho, temos um papel na sociedade e a responsabilidade de fazê-la melhor a cada dia. Assim eu procuro cumpri minha parte como militante do movimento de economia solidária, na valorização e pelos direitos das mulheres, na causa racial e por toda e qualquer questão que dignifique o ser humano”, revela Fátima. 

Leia a entrevista que o Portal da Moradia e Cidadania fez com ela.

Moradia e Cidadania: O que te motiva a continuar com o trabalho social?
Maria de Fátima: Vontade de ver menos desigualdade (em todos os sentidos) entre as pessoas, a injustiça é algo que me mexe comigo e me faz trabalhar mais ainda.

Moradia e Cidadania: Como você, voluntária, avalia o trabalho da Moradia e Cidadania?
Maria de Fátima: A nossa ONG é uma entidade impar e tenho muito orgulho em fazer parte de um coletivo que já beneficiou milhões de brasileiros, desde matar a fome, literalmente, qualificar, dar condições para geração de trabalho e renda, promover a educação e até dar acesso à moradia. A Moradia e Cidadania hoje é reconhecida pelas comunidades, governos e parceiros pela contribuição na luta pela construção de políticas públicas e como um forte instrumento para empoderamento dos cidadãos e cidadãs excluídos socialmente .

Moradia e Cidadania: Na sua opinião, falta alguma coisa para que o trabalho que você desenvolve na Moradia e Cidadania seja ainda melhor?
Maria de Fátima: Falta gente que se disponha a envolver-se realmente no trabalho ou no projeto. Pela amplitude que as atividades da ONG ganharam nos últimos anos, não estamos mais apenas fazendo um simples trabalho voluntário pontual, o envolvimento gera muitas reuniões, eventos, demandas de outros fóruns que acabam gerando uma agenda com muitos compromissos e as pessoas não querem assumir responsabilidades contínuas. Percebo que a maioria quer fazer algo de tempo curto, em determinados momentos, uma tarefa determinada com começo, meio e fim.

Moradia e Cidadania: O que uma pessoa precisa para ser voluntária?
Maria de Fátima: Disposição, compromisso e vontade de fazer algo pelos outros.

Moradia e Cidadania: Qual a importância de desenvolver projetos sociais em comunidades de baixa renda?
Maria de Fátima: Dar oportunidades, gerar melhorias, contribuir de alguma forma para um país melhor.

Moradia e Cidadania: O que mudou na sua vida e na vida das pessoas de baixa renda que são atendidas? Qual é a coisa de maior valor que você aprendeu com o trabalho voluntário?
Maria de Fátima: Arrumei bastante trabalho isso pode ter certeza e não sei como achei tempo para fazê-los, isso mostra que podemos. Acho que tornei-me um ser humano melhor, uma cidadã mais útil à sociedade em que vivo. Aprendi a dar mais valor a tudo que tenho e às chances que a vida me deu e me encanto todos os dias com a forma de viver das pessoas simples e pobres que encontram ainda um jeito de dar exemplos de força e alegria. É maravilhoso! 

Moradia e Cidadania: Qual é a mensagem que você gostaria de transmitir às pessoas que têm vontade de ajudar as pessoas de baixa renda?
Maria de Fátima: Não tenha medo do compromisso, vá e se entregue vai ser muito bom para você também.

Moradia e Cidadania: Quais seus projetos para o futuro?
Maria de Fátima: Melhorar a capacitação na temática da Economia Solidária que ainda é muito nova e pouco conhecida no Brasil, mas que é uma grande alternativa de geração de trabalho e renda e para a preservação do meio ambiente.

Moradia e Cidadania: Para você, qual a importância da inserção dos empregados da CAIXA nas ações da ONG?
Maria de Fátima: Em primeiro lugar a ONG foi construída por nós empregados da Caixa e todos deveriam apropriar-se dessa grande organização que é nossa, isso fortaleceria a entidade interna e externamente.  Segundo que temos muito potencial e credibilidade nas relações sociais e comerciais que exercemos como bancários o que é bastante positivo para os trabalhos que a Moradia e Cidadania pode desenvolver.

Moradia e Cidadania: Relembre um fato marcante na sua trajetória social e o que mudou em sua vida após o acontecimento.
Maria de Fátima: Não tem um fato único, o que me marca muito são os depoimentos que recebi e recebo das pessoas que são beneficiadas pelos nossos projetos e a maioria visível da auto-estima e da dignidade. Isso é tudo para mexer com a nossa emoção.

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