Coordenação DF visita projeto cultural em escola pública de Sobradinho: Da criminalidade à Dança Charme

16 jul 2019
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Coordenação DF visita projeto cultural em escola pública de Sobradinho: Da criminalidade à Dança Charme

              O “Charme”, ou “Baile Charme”, se originou nos anos 1970 com músicas denominadas “soul da Filadélfia”, um aspecto da soul music conhecida pelos arranjos e melodia. No Brasil, os principais DJs desses bailes eram Big Boy, Aldemir Lemos e Mister Funk Santos.

     O termo foi criado em março de 1980, pelo DJ Corello, no Rio de Janeiro, quando ele começou a introduzir a musicalidade do charme na black music, termo dedicado a todos os gêneros musicais influenciados ou emergidos pela cultura que descende de africanos, e percebeu que o público gostava.

     Ele ainda não tinha nomeado o movimento, mas percebeu que as pessoas que escutavam o estilo musical se mexiam de forma diferenciada e particular, foi aí que, em um baile no Mackenzie, no bairro Méier, o DJ diz: ‘’Chegou a hora do charminho (…)’’. Esta estória ficou na cabeça de todos, que começaram a usar expressões como: ‘’vou ouvir um charme’’ ou ‘’vou lá no Corello que vai ter charme’’.

     Em 1993, o movimento Charme foi reconhecido, proporcionando a criação do Espaço Rio Charme. Após esse reconhecimento, o movimento ficou conhecido por abranger todas as músicas R&B que tinham uma construção melódica específica. Os charmeiros usam roupas sociais e elegantes, prezam pelas cores, penteados e acessórios provenientes da cultura africana, além de passos diversos desenvolvidos no salão, sendo o foco principal se divertir, dançar e ouvir uma boa música.

     Com o intuito de criar ações colaborativas para a integração da comunidade, um conjunto de colaboradores educacionais, sociais e culturais se juntou e, assim, criaram o Projeto anDança. A ação tem como principal objetivo utilizar a arte e a educomunicação (forma de educação através da comunicação, dispondo de recursos como a arte e a mídia) para promover a qualidade de vida individual e coletiva.

     O programa dispõe de oficinas comunitárias temáticas, como a de Cultura Charme, Peças de Educomunicação, spots de rádio, Festival de Talentos Artísticos, Plano de Comunicação Comunitária, entre outros. Atuando em escolas, instituições sociais e espaços públicos de Sobradinho, Sobradinho II e Fercal, seu público alvo direto são jovens, principalmente em situações de vulnerabilidade, entre 12 e 29 anos.  Essas atividades são de extrema importância em comunidades como as contempladas pelo projeto, uma vez que, ao longo dos anos, mesmo que o número de crimes registrados diminua, os índices ainda permanecem altos e colocam toda a comunidade em risco.

     De acordo com a Subsecretaria de Gestão da Informação do Governo do Distrito Federal, em 2017, o número de crimes, incluindo violentos, letais, intencionais e contra o patrimônio, registrados em Sobradinho, Sobradinho II e Fercal foi de, respectivamente, 1464, 851 e 75. Já em 2018, as infrações registradas em Sobradinho caíram em 217 casos, em Sobradinho II houve queda de 202 e na Fercal foram 6 casos a mais. Logo, o número da criminalidade continua preocupante, principalmente para os moradores destas regiões do Distrito Federal.

     A Moradia e Cidadania/DF visitou o projeto no dia 29 de abril de 2019. O primeiro evento aconteceu no Centro de Ensino Médio 01 (CEM 01) de Sobradinho, das 8h até as 10h30, e o segundo no Centro de Ensino Fundamental 08 (CEF 08) de Sobradinho II, das 14h às 16h30. Ambas aconteceram em regiões onde a ausência de segurança é preocupante, fazendo com que a coordenadora do projeto escolhesse esse local para trazer um suporte e possibilitar a transformação da comunidade. O evento contou com a presença do coreógrafo brasiliense Yago Beirão e do renomado carioca Marcus Azevedo. A realização do evento se deu pelo Projeto Figuras da Dança, no qual Yago é professor.

     O principal intuito da visita ao projeto foi conhecê-lo melhor, ter ciência de seus objetivos, metas e como pretendem alcançá-los por meio de seus produtos. Enfim, o projeto anDança conta com o apoio do Moradia e Cidadania/DF, que acredita que são ações como esta que mudam, aos poucos, o mundo.

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